E essa tal liberdade, hein?

Neste final de semana ouvi mais uma vez a opinião de diversos jornalistas, tanto pela internet quanto pessoalmente, a respeito da nova (velha) discussão sobre a questão de se permitir tirar MTB de jornalista sem ter o diploma de comunicação social.

Eu sou formada em Moda e acabei entrando no jornalismo porque a “maré me levou” e acabei tomando gosto pela coisa.

Se eu fosse jornalista, desencanaria dessa discussão. E vou dizer por quê. “Ah, mas você não é jornalista, não sabe o que está dizendo”, talvez pensem. Realmente, não sou jornalista, mas vivo um caso muito parecido.

De acordo com a minha formação, sou estilista. Sabe o que prova que uma pessoa é estilista, caso ela queira atuar na área? Nada. Trabalho há 8 anos com moda e sabe quantas empresas exigiram meu diploma para me registrar? Nenhuma.

É comum vermos nos noticiários coisas do tipo: “Victoria Beckham vira esilista e lança grife de moda”, e tem tantas outras como ela: Gwen Stefani, P.Diddy, Carolina Dieckman, Débora Falabella e por aí vai. Com certeza essas pessoas nunca chegaram perto de uma mesa de desenho ou modelagem. Se perguntarmos a diferença entre um cetim e um shantung de seda, talvez elas respondam “Mas não é tudo igual???”.

Quem trabalha com moda esbarra num dilema ainda pior que os jornalistas: quem é estilista ou assistente de estilo não tem nenhum sindicato trabalhando a seu favor. Sendo assim, horas extras não-remuneradas, salários incondizentes com a função, entre outros absurdos, nunca são apurados. Cansei de trabalhar em desfile até 23h ou mais e não ter folga após o desfile.

Daí, eu comecei a pensar: acho que esse é o preço que se paga pela tal da liberdade.

Quem é jornalista vive brigando pela “liberdade de expressão”, não é mesmo? E quem é estilista também. Mas, liberdade é liberdade, oras. Sendo assim, todo mundo pode exercer funções que trabalhem com ela. Se houver restrição, não é liberdade, certo?

Minha visão é a seguinte: o mercado elimina naturalmente os incompetentes. É claro que esse processo de percepção e, por fim, eliminação, não é imediato. Mas ele acontece (veja o post “Quer uma boa notícia?”, logo abaixo). E, como tudo no mundo, ele não é 100% eficiente, afinal, tem uma série de fatores: o “nome” da pessoa envolvida, o meio em que ela está inserida e quem ela conhece desse meio, entre outros.

Acho válida a discussão, mas ao mesmo tempo, acho meio sem fundamento. Como esses jornalistas querem brigar tanto pela liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, impedir que outros também o façam?

Por falar em liberdade, recebi uma “represália” pelo post “Quer uma boa notícia?”. Eu cito um caso conhecido de todos e um dos nomes envolvidos no post veio tirar satisfação, ameaçando tomar medidas “policiais” contra o que escrevi. Decidi, em respeito à boa educação da pessoa que falou comigo, retirar um dos nomes do post. E só. Eu nem ia fazer isso, mas como prometi isso na hora da conversa, fiz. O mais engraçado é que a pessoa, esperando que eu fizesse a retirada imediatamente, veio me pressionar no dia seguinte à nossa conversa (em plena SPFW, acreditem). Como eu ainda não havia retirado, disse que estava dando prosseguimento com o processo. Tá.

É… é essa tal liberdade. Quem exige, não sabe conceder. Essa pessoa que veio reclamar é jornalista. Aposto que briga tanto quanto outros jornalistas, estilistas e afins pela liberdade de expressão… e repreende quem se expressa livremente.

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