No olho do furacão

Posted On Agosto 5, 2009

Arquivado em Fashion, People

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P8030054Você já esteve na zona de perigo, entre um monte de celebridades e um bando de mulheres enlouquecidas? Pois é, eu acabei de viver esta situação.

Estive num evento na loja da Planet Girls. Para mostrar a coleção de verão, a empresa levou clientes a sua loja e levou também um grupo de atores do momento: Danielle Winits (garota-propaganda), Eriberto Leão, Vanessa Giácomo, Cássio Reis e Rodrigo Santoro.

Você é capaz de imaginar a loucura? Eu estava num lugar tranquilo quando as assessoras resolveram mudar as celebridades de local. A multidão inteira se deslocou e eu fui junto. No fim, com o vai e vem, fiquei bem na frente dos fotógrafos, logo a frente do cordão de isolamento. Me senti no show do Bad Religion (em sua última apresentação no Brasil, estive na primeira fila. Fui pisoteada várias vezes pelos seguidos moshes realizados pela platéia e pelo vocalista da banda). Fotógrafos, fãs… todos se jogavam sobre os seguranças (e sobre mim) para chegar mais perto dos atores. Quase pirei. Pior: eu não conseguia sair do lugar. Queria me desvencilhar da loucura, mas cedi, e esperei a loucura toda acalmar.

Quando finalmente a situação se amenizou (pois o Rodrigo Santoro havia se retirado para uma sala privativa), pude andar pela loja. Fiquei perto de Eriberto Leão e Vanessa Giácomo. Eles começaram a ser levados para a mesma sala privativa que Santoro. Fui junto e aproveitei para conversar com Eriberto. Fiquei surpresa. Eu nunca havia entrevistado uma celebridade do momento e gostei da postura dele. Falamos sobre o fato de, no Brasil, o item que mais influencia a compra de moda são as celebridades das novelas. As vitrines atrativas ficam em segundo lugar (acredite se quiser…). Ele se preocupa com essa influencia e, modestamente, tenta fazer algo em relação a isso. Ele diz que, sempre que é possível, aparece em público com camisetas estampadas por frases positivistas e prega veementemente a volta da frase original da bandeira brasileira, que era: “Amor, Ordem e Progresso”, sabia? Se não dá para voltar a frase na bandeira, que tal voltar na prática, pelo menos?  

Adoro Walter Rodrigues!

Não é de hoje que admiro o estilista Walter Rodrigues. Sempre cruzo com ele em eventos, como o Fórum de Inspirações para Calçados e Artefatos (do qual ele é coordenador) e me surpreendo. Walter me cumprimenta com extrema educação e sempre lembra da última vez em que nos vimos (onde estávamos ou de algo que conversamos). Que memória!

Mas não foi a memória de Walter que me surpreendeu desta vez. E sim sua competência (o que também não é novidade). Adoro eventos que apresentam tendências de moda para as próximas estações mas, confesso, fico triste ao detectar que 99% deles baseiam suas pesquisas em fotos de desfiles e vitrines internacionais. Até mesmo os grandes eventos, patrocinados por empresas de moda super fortes, apresentam palestras com seqüências intermináveis de fotos das últimas temporadas de Paris, Milão, NY e Londres, tanto das passarelas quanto das vitrines. Os bureaus mais especializados (e mais caros) são aqueles que revelam minúscias dos looks desfilados, detalhe por detalhe, e que se dispõem a desvendar matérias-primas e formas de construção correspondentes no Brasil.

Mas Walter não faz isso em sua palestra. Ele prende e encanta uma platéia de 1070 pessoas no Fórum da cidade de São Paulo (o fórum vai passar por 17 cidades no total) com pesquisas que se baseiam na população e nos conumidores do país e apresenta desenvolvimentos de matérias-primas e insumos totalmente autorais, que darão asas à imaginação de qualquer pessoa que quiser criar seus próprios modelos de calçadpos e acessórios. Sem precisar espiar o último sapato da Prada ou a bolsinha da Chanel.

Palmas para Walter e sua competência avassaladora. Este é o caminho que devemos trilhar para nos desvencilharmos de vez do estereótipo de país-cópia (estereótipo este que não ganhamos de graça, que fique bem claro).

MANIFESTO? QUE MANIFESTO?

Vivienne Westwood veio a São Paulo e em apenas 2 dias cousou frisson na cidade. Ela chegou na quinta-feira, dia 18 de janeiro, conferiu sua exposição “Shoes” na SPFW, lançou 2 modelos da sandália Melissa e foi embora para a Amazônia no dia 19. O desfecho da passagem de Vivienne em São Paulo seria a leitura de um manifesto chamado “Active Resistance to Propaganda” (Resistência ativa à Propaganda) no dia 19 no auditório do MAM, em plena SPFW.

Eu fui até o auditório afoita de curiosidade. Imagine, seria como presenciar um acontecimento histórico! A dama inglesa da moda mundial daria mais uma cartada de sua vida polêmica lendo um manifesto no Brasil contra a massificação da propaganda.

Realmente, foi polêmico. Ao chegar na porta do MAM fui informada de que a leitura do manifesto seria restrita a convidados. Imprensa não entraria. Como assim? Não entendi.

Segundo meu famoso amigo Aurélio, manifesto é “declaração pública ou solene das razões que justificam certos atos ou em que se fundamentam certos direitos”.

Um manifesto é uma declaração pública, um discurso em defesa de uma idéia ou ideal. Como, então, um manifesto pode cumprir seu objetivo se ele não for ouvido? Como um manifesto pode ter valor se o público não o ouviu? Só a elite, mais uma vez, merece ser informada? E o povo continua burro?

Quer dizer que para vender sandálias é válido receber a imprensa e outras pessoas? Ah…. quer dizer que é correto ser contra a propaganda indiscriminada e a favor do consumismo indiscriminado?

Posso até estar sendo ingnorante. Talvez quem teve acesso ao manifesto ache que eu estou falando alguma bobagem. Mas eu tenho direito. Eu não ouvi o manifesto. Ignorância às vezes é uma desculpa que cai bem à burrice.

Por: Eva Coutinho

SIMPLY THE BEST!

Posted On Novembro 13, 2007

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Judy BlameSemana passada tive a oportunidade de conhecer uma das pessoas mais excêntricas e excepcionais da minha vida: Judy Blame. O designer londrinho participou do Pense Moda no dia 9 de novembro. Judy é conhecido internacionalmente pela ousadia de suas criações. Aqui no Brasil ele ficou ainda mais “pop” depois de fazer várias coleções exclusivas para a Melissa. E eu conversei com Judy tranquilamente antes do início de sua palestra.
A entrevista completa vocês conferem aqui. Mas eu tenho que comentar a respeito da figuraça que é esse homem!
Judy nao é novo. Ele atua há quase 20 anos nas artes e na moda. Apesar de toda a sua bagagem e de sua rede de contatos (ele é queridíssimo no Brasil e onde quer que vá), Judy continua a ser uma pessoa dócil e atenciosa. Sim, apesar de estar sempre de preto, de ter uma altura imponente e de estar sempre cercado de pessoas importantes, ele é dócil.
Conversamos durante alguns minutos de uma forma tranqüila. Pela primeira vez, entrevistei uma pessoa em inglês que ouviu minhas perguntas até o final, o que geralmente não acontece (a maioria dos entrevistados acham que sabem o que você vai perguntar e atropelam sua fala). Ele respondeu a tudo calmamente, analisando e pensando bem antes de responder.
Cara, acho que virei fã desse homem…

Eva Coutinho

P.S.: Repare no incrível chapéu Philip Treacy que ele está usando…